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Sou+Web – 13ª Edição – E-branding

Posted on : 22-03-2010 | By : Leonardo Spinardi | In : eventos, sou+web

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Recorde de inscrições e de público (e de crianças com menos de 5 anos na platéia também, pois alguns profissionais estavam com seus filhos lá), o Sou+Web, organizado pelo sempre polêmico Nino Carvalho, chegou a sua 13ª edição, no dia 13 de março, para abordar o tema E-Branding.

Idealizador do evento, Nino Carvalho faz a abertura do 13º Sou+Web, no IBEU, em Copacabana.

Idealizador do evento, Nino Carvalho faz a abertura do 13º Sou+Web, no IBEU, em Copacabana.

O evento aconteceu no mesmo lugar de sempre, no IBEU, em Copacabana, sempre aos sábados, e às 10h, quando cheguei lá, o auditório já estava bem cheio. O local oferece acesso à rede wi-fi, através da qual o público interage com o telão por meio de seus notebooks, celulares e outros dispositivos móveis. A dinâmica do evento acaba ficando interessante porque a platéia faz uma cobertura ao vivo através do Twitter (#soumaisweb), publicando tudo o que vai sendo falado e discutido dentro do auditório.

Com o auditório lotado, a platéia se vira do jeito que pode para fazer as anotações e cobrir o evento em tempo real.

Com o auditório lotado, a platéia se vira do jeito que pode para fazer as anotações e cobrir o evento em tempo real.

Como de costume, o evento trouxe um elenco fera para falar sobre o assunto. Dessa vez, o time de palestrantes era formado por Danielle Meirelles (@dmeirelles), CEO da DBrand, com atuação no Rio, São Paulo, Nova Iorque e Londres; Andrei Scheiner (@inobvio), Mestre em Comunicação Social pela PUC-Rio com pesquisa focada em branding, tatuagens e consumo; e Gabriel Rossi (@gabrielrossi), Sócio  fundador da consultoria em branding digital que leva o seu nome e profissional focado na construção e gerenciamento de marcas na websocial.

Mediado por Fábio Carvalho (@fabiocarvalho), Gerente de Novas Mídias da Textual Comunicação e ex-aluno do Nino (ele tem costume de colocar os alunos para moderar as apresentações e até mesmo como palestrantes) o evento começou pouco depois das 10h, com a apresentação da Daniella Meirelles, que focou bastante em cases de sucesso de marcas internacionais.

Fábio Carvalho mediou o debate sobre e-branding.

Fábio Carvalho mediou o debate sobre e-branding.

Danielle Meirelles – CEO da DBrand
Entre cases manjados e outros nem tanto, Danielle começou a palestra falando da formas que as marcas podem obter na internet para criar pontos de contato e possibilitar o fortalecimento junto ao consumidor. Entre os exemplos, Daniella citou sites, pop-up, banners, links patrocinados, blogs,  jogos, entre outros. Ela acredita que existem três palavras que devem comandar as ações das empresas na web, sendo elas “compartilhar”, “ouvir” e “interagir”. Sobre cada uma, ela citou exemplos de ferramentas e formas de praticar cada um desses verbos. Foi uma palestra rápida, com exemplos breves de cases e serviu bem como esquenta para o que estava por vir.

Andrei Scheinner com microfone, é observado por Daniella Meirelles e Gabriel Rossi, durante sua palestra.

Andrei Scheiner, com microfone, é observado por Danielle Meirelles e Gabriel Rossi, durante sua palestra.

Andrei Scheiner – Mestre em Comunicação Social pela PUC-Rio
Andrei Scheiner abordou o e-branding sob um foco muito interessante, que também foi o tema do seu mestrado em comunicação: “Mercado de pele: consumo, tatuagem e cultura de massa“. A abordagem passa pela atitude das pessoas que, sendo tão fãs das marcas, tatuam em seu corpo a logo e outras referências.

O contexto que ele cria para falar do poder das marcas e, por consequência, do e-branding, incitou a platéia que começou a participar mais. “Nome a gente não escolhe, mas um @ (referência aos nicks do twitter) e tatuar uma marca no corpo, sim!”, exemplificou Andrei sobre a relação entre as marcas, as pessoas e seus corpos.

Palestra do Andrei Scheiner sobre "Mercado de pele: consumo, tatuagem e cultura de massa".

Palestra do Andrei sobre "Mercado de pele: consumo, tatuagem e cultura de massa".

Enfatizando o pressuposto do “pra sempre” que uma tatuagem carrega consigo, Andrei explicou que as Lovemarks acabam cumprindo um papel que antigamente era cumprido pela família, pela religião ou pelos amigos. Existem casos de tatuagens feitas em busca de um benefício tangível e material, como pessoas que colocaram a própria testa à venda para anúncios ou que tatuaram marcas de restaurante em busca de almoço grátis, mas o ato é espontâneo na grande maioria das vezes.

A apresentação passou pelo questionamento do que são as marcas para o consumidor e o que elas representam nesse novo contexto, quando o cliente compra mais do que o produto, mas a experiência da marca, que passa por diversos fatores como o atendimento, a qualidade e o pós-venda. “Pós-venda no Brasil é visto quase como um favor. Eu vejo que as marcas no Brasil ainda não se atentaram da importância de estar bem representada na web”, enfatizou Andrei. Por fim, ele acredita que assim como na teoria de Darwin, nas novas mídias também acontecerá o que ele chamou de “Seleção Digital”, onde o próprio mercado acabará selecionando as empresas que se preocuparam e se estruturaram para atender a essa nova dinâmica, que passa pelo cuidado da marca e sua percepção no mundo digital pelo consumidor.

Gabriel Rossi – Sócio  fundador da consultoria em branding digital que leva o seu nome
Quando a sequência do debate parecia não ter mais para onde crescer, chegou a vez do paulista Gabriel Rossi fazer sua apresentação, misturando referências bibliográficas, frases de efeito e declarações positivas sobre o Rio de Janeiro. Não preciso dizer que conquistou a platéia e protagonizou a melhor apresentação daquela manhã.

Para começar, homenageou Peter Drucker citando uma frase do capítulo 5 de determinado livro do autor: “Marketing é tudo o que uma empresa faz; o que não é, é decorrência”. De cara, Gabriel fez questão de esclarecer que a internet não é a panacéia, mas que ela ampliou e acelerou os processos de boca-aboca que aconteciam antes dela. “O boca-a-boca ganhou uma nova dimensão, e as empresas que entenderem que o marketing é uma filosofia, e não uma área ou ferramenta, serão premiadas pela web”, garantiu Gabriel. Isto porque  agora é o consumidor que controla a marca, e esse consumidor acredita cada vez mais em outros consumidores, no lugar do que dizem as próprias marcas.

Gabriel ainda falou sobre os funcionários das empresas representarem as marcas nas redes sociais, fato que ele acredita ser uma tendência. “As marcas pessoais deverão se sobressair às institucionais”, apostou. Nesse momento, citou o exemplo da fábrica de calçados Zappos, onde existe uma cultura interna de felicidade, uma cultura de atendimento ao consumidor. Nesse contexto, Gabriel Rossi garantiu que as marcas estão percebendo o grande valor de pequenas trocas.

Na reta final da apresentação, o assunto chegou aos nativos digitais, que não percebem a diferença entre meios e interações on e off, e sobre como as empresas estão preparadas para receber essa geração como força de trabalho, uma vez que ela não está acostumada com os valores atualmente cultivados nas corporações. Por fim, Gabirel recomendou não seguirmos a tecnologia, mas sim o comportamento. “Desconfie das ‘twitter and facebooks strategys’. O que vale é o aprendizado e a pesquisa”. Antes de terminar, ele citou sua teoria de “passar batom em porco”. “Se você tem uma marca ou produto ruim, utilizar as redes sociais para auto-elogio é como passar batom em porco”, finalizou, recebendo palmas acaloradas da platéia.

Resumo do Evento:
Nos últimos 3 eventos que fui este ano, independente do tema (e-branding, redes sociais, consumidor 2.0) ficou claro que existe uma interseção, um assunto comum, que é abordado em todas essas palestras e apresentações. Na verdade, o debate macro atual não cabe em apenas uma definição. Falar de e-branding envolve redes sociais, que envolve consumidor 2.0, que envolve privacidade, que envolve e-mail marketing, que envolve métrica, que envolve tecnologia… A verdade é que essa nova dinâmica trabalha em diversas interfaces, com detalhes de cada uma, mas que busca desvendar as características desse mercado onde as marcas descem do pedestal, os clientes tem poder e a humildade e transparência começam a ganhar destaque nas relações comerciais.

O Nino é um cara fera e consegue fazer um evento com nível elevado e público idem, uma vez por mês, nas manhãs de sábado, ensolaradas ou não. Esse não foi diferente. Platéia participativa e convidados com muito a dividir. Para fechar esse post, me aproveito de uma frase que o Gabriel Rossi disse após a sua apresentação, quando as perguntas foram abertas ao público, que diz muito a respeito das tendências atuais: “O atendimento ao consumidor é a próxima publicidade”. Nada pode vender um produto ou serviço tão bem quanto outros consumidores bem atendidos. Veremos o que as empresas nos reservam…

Saiba mais:
- Blog da Textual Serviços em Comunicação
- Blog Cristiano Web, do Cristiano Santos, com um excelente apanhado dos melhores tweets do evento
- Blog Meme de Carbono

Comments (1)

Gostei da abordagem. Parabéns.
Um abraço cordial.
Mauricio A Costa

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