Leonardo Spinardi
Jamais imaginei que a banda para a qual dediquei meu (pouco) talento como baterista por 10 anos, seria uma das minhas grandes escolas profissionais.
Tudo foi acontecendo inconscientemente desde quando eu passei para a faculdade de Jornalismo, na UniverCidade (1999), por engano, já que havia feito vestibular para Publicidade. Descobri no primeiro dia de aula, ao ir na secretaria reclamar de estar na turma errada, que não havia o curso de Publicidade na faculdade. Como isso aconteceu? Sei lá, alguma falha em Matrix. Resolvi ficar o primeiro período para não perder tempo e eis que me deslumbrei com o universo que se abriu, principalmente com as aulas de português da professora Conceição que, em vez de nos ensinar gramática, se esforçava para nos libertar mentalmente para escrever. Aulas doidas e muito papo-cabeça!
Mas voltemos ao Abaixo de Zero, a minha banda que serviu de escola profissional de 1998 até 2008. Ao longo desse tempo, ser estudante de jornalismo ajudou bastante na tarefa, já que precisávamos escrever releases sobre nosso trabalho, atuar como assessoria de imprensa para conquistar espaço de divulgação para os nossos shows e resenhas sobre nossos discos, em pequenos veículos do underground e grandes do mainstream.
Me virei para aprender Corel Draw e PhotoShop (RGB, CMYK, sangramento, preparação para saída de gráfica…), já que éramos nós mesmos que fazíamos as capas dos discos e a maioria dos flyers (virtuais ou não) dos shows. Bem, e se o esquema era o do-it-yourself, mergulhei no mundo do HTML e fiz 3 versões do site para a banda, todos entulhando uma tabela dentro da outra, sem nenhuma preocupação de acessibilidade que o mercado atual exige.
Mas percebi que fazer música boa (ao menos eu acreditava ser), cds demos, shows e ter um bom site não eram suficientes para crescermos como queríamos. Estava faltando viver mais a coisa, fazer amigos, estreitar relacionamentos, investir na social e ganhar no networking. Não só organizávamos nossos próprios shows e convidávamos outras bandas, com o intuito de obter outros shows em troca, como também estávamos presentes em tudo quanto era show e evento, munidos de cd, adesivo e camisa da banda para venda e distribuição para os contatos-chave. Até um DVD independente nós lançamos.
De repente, algo começou a facilitar nosso trabalho. Sim, as redes sociais surgiram e começaram a nos ofertar uma audiência a qual não tínhamos acesso meses antes. Nós tínhamos nosso site, mas também estávamos distribuídos pelo Blogger, Fotolog, Orkut, MySpace. Pessoas de diversos cantos do estado e do país podiam ouvir a nossa música, e comentar, e comprar o cd, a camisa, e ajudar a gente a divulgar a banda, e levar a gente pra tocar lá e…e…e… Investíamos pesado o nosso tempo praticando spam (hehehe) através do nosso informativo, o ADZ Newsletter, que enviávamos sempre às vésperas dos shows ou de eventos importantes (aparição na TV ou rádio), e através de scraps ou da comunidade do Orkut. Não tínhamos noção das boas práticas e tocávamos o projeto com o coração na ponta do mouse.
Em 2008 a banda acabou porque todo mundo foi ficando grandinho e não conseguia mais tempo nem para ensaiar. Resolvemos enterrar o defunto ao invés de deixá-lo vagando por aí, mas sem dúvida o legado herdado da banda foi um bocado de lições que continuo praticando até hoje, só que na vida coorporativa e profissional.
Fiz a pós-graduação de Ergonomia e Usabilidade, na PUC, em 2006, e a de Marketing Digital, na FACHA, em 2008. Hoje trabalho com esse mix de comunicação, tecnologia, design, sociologia e marketing, na Rapp Brasil (www.rapp.com.br), prestando serviços para a Petrobras Distribuidora (www.br.com.br), expandindo os pensamentos aqui no DNA Digital e o paladar no Restaurantes do Rio (www.restaurantesdorio.com.br).
Prazer, Léo Spinardi!
Entre em contato: www.twitter.com/leospinardi










