Palestra – Redes Sociais – Planetário
Posted on : 12-08-2009 | By : Leonardo Spinardi | In : eventos
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O evento já me chamava a atenção pelo local onde seria realizado. Acho o Planetário muito charmoso e futurista, e um ambiente ideal para debatermos sobre redes sociais e o futuro da comunicação. A palestra foi promovida pelo Clube da Comunicação, em parceria com o Planetário (que belo auditório), e teve como palestrante o figuraça Nino Carvalho falando sobre redes sociais.

Início de evento e platéia antenada às palavras do Nino. O debate ainda iria pegar fogo.
Falar sobre redes sociais hoje em dia exige cuidado. Cuidado para não chover no molhado e repetir o be-a-bá que todo mundo já sabe e vivencia. Era o que eu pensava. Engano meu acreditar nisso. Como o momento é de transição, encontramos em um mesmo mercado profissionais de mesmo ofício com perfis completamente opostos. Pessoas com percepções totalmente diferentes a respeito das inovações que a internet trouxe para o mercado de comunicação, principalmente a empresarial. É um choque de gerações. E foi exatamente essa diferença que enriqueceu tanto o debate. O que pode ter sido motivo de deboche para os mais moderninhos e enturmados no assunto, foi o fator-chave para ressaltar o contraste entre esses dois universos coexistentes.
O Clube da Comunicação é formado, em sua grande maioria, por jornalistas que viveram e aprenderam a trabalhar com o modelo antigo do mercado de comunicação. Muitos deles estavam lá no auditório do Planetário. Já o novo profissional conheceu esse modelo antigo, mas participou dessa transição para o novo modelo e compreende perfeitamente o rumo que o mercado tomou. Para se ter idéia do contraste entre esses dois mundos, em certo momento do debate uma assessora de imprensa “das antigas” perguntou de que forma ela poderia se aproveitar do Twitter para manipular o seu público. Não preciso dizer que virou motivo de chacota no mesmo minuto. É de se compreender. Todo mundo sabe que mentira e manipulação tem vida curta nas redes sociais. Mas foi curioso observar a sinceridade e inocência com que foi feita a pergunta. Aquilo era um clássico exemplo de como empresas tradicionais “das antigas” tem enxergado as redes sociais. Elas se perguntam como entrar ali e tirar proveito daquilo e carregam consigo o antigo hábito da comunicação de um via só.

Redes Sociais tomam conta do excelente auditório do Planetário.
Com os retratos do antigo e novo mercado bem definidos – quase caricato – a platéia se inflamou e passou a participar ativamente do debate com perguntas e opiniões. Ficou claro que duas horas de duração foram pouco. Quando a conversa começou a se tornar participatiova e colaborativa, quando os slides do Nino já haviam ficado em segundo plano, chegou a hora de terminar o evento. O lado negativo foi que muita coisa ficou por dizer. O positivo foi ter ido embora com um gostinho de quero mais.
Em um breve resumo, o bate-papo passou pelas principais características e mudanças que as redes sociais estão promovendo na forma das pessoas consumirem o mundo. Foi dito que a internet se tornou um reflexo das necessidades das pessoas. Em certo momento, o Nino citou Chris Anderson ao dizer que notícia, jornal e jornalismo são coisas que em breve não existirão mais. As pessoas descobriram outra maneira de consumir a crise mundial, o terrorismo no oriente médio, a gripe suína, que não através dos grandes meios de comunicação.
Sobre a atuação das empresas em redes sociais, falou-se sobre a moeda de maior valor no meio que é a relevância. Em segundo lugar, vem a privacidade. Trabalhar com relevância e privacidade parece ser o caminho do bem na hora de entrar nas redes sociais. É preciso compreender que ao ingressar no meio, aquela interface personifica a identidade da empresa e ali, naquele ambiente, diminui-se a diferença de poder e inicia-se uma conversa de igual para igual. Você vai dar atenção a quem for interessante para você e a quem respeitar as suas escolhas e formas de se comunicar. Não adianta empurrar goela abaixo.
É interessante perceber que as redes sociais são as mesmas que tínhamos antigamente e ainda temos hoje no mundo offline. As senhoras que conversam na missa de domingo, o papo rápido com o porteiro, o almoço de família, a troca de idéia na arquibancada do Maracanã, o fã-clube daquele ator, daquela banda. Estes eram/são nossos filtros. Nessas relações já existem as pessoas que oferecem relevância e privacidade. Você confia na opinião daquele amigo intelectual? E você dá bola ao que fala aquele primo neurótico? Você atende ao telefone daquela tia intrometida? E da fofoqueira? O que diferencia esses dois mundos é a potencialização. Se você trocava idéia com um número restrito de pessoas, agora isso pode ser compartilhado com o mundo e ganhar força. A divisão de poder vem se equilibrando e é excitante vivenciar essa transição, saborear a alegria de um período onde as barreiras caem, os problemas mudam e a gente tem muito mais acesso ao poder.
Salve a anarquia da informação!
Grande abraço,
Léo Spinardi | @leospinardi










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