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LIVRO – Não Me Faça Pensar

Posted on : 26-04-2011 | By : Leonardo Spinardi | In : biblioteca DNA

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Não Me Faça Pensar, de Steve Krug.

Não Me Faça Pensar, de Steve Krug.

Mais do que uma abordagem de bom senso à usabilidade na web, Steve Krug também usou bom humor para desmistificar esse conceito e escrever um dos títulos mais conhecidos sobre o tema.

Publicado antes do estourar da bolha, em 2000, e revisado cinco anos depois, o livro pratica o que prega, oferecendo um conteúdo enxuto, didático e repleto de exemplos sobre as principais questões a respeito da usabilidade na web, admitindo que não existe uma verdade absoluta sobre a forma correta de projetar websites.

“Projetar, criar e manter um ótimo website não é fácil. É como golfe: há várias formas de fazer com que a bola entre nos buracos e um milhão de formas de não consegui-lo. Qualquer pessoa que consiga fazer metade das coisas de forma correta tem minha admiração”.

O título do livro deriva da recomendação de Krug sobre a principal regra que deve ser guardada na cabeça, que é não fazer os usuários pensarem. Cada dúvida ou pensamento, mesmo que simples, gera algum tipo de trabalho mental que pode distrair as pessoas da tarefa que estão tentando realizar. Dessa forma, a missão mais importante na hora de projetar um site é tentar eliminar perguntas como “Onde Estou?”, “Por Onde Começo?” e “Onde Colocaram tal coisa?”, de forma que seja possível navegar com fluidez, sem precisar pensar sobre cada passo a ser tomado.

No momento de construção do site, imagina-se que a pessoa estudará a página em cada detalhe para fazer a sua escolha, quando, na verdade, ela escaneia a tela em busca de pistas que a remetam ao seu objetivo. Os usuários também não fazem a melhor escolha, mas sim a primeira escolha razoável. Para as pessoas, não é importante aprender sobre o funcionamento de um site. Elas estão interessadas em atingir os objetivos. Se conseguem fazê-lo, ficam com ele.

Considerando o fato de que as pessoas escaneiam as páginas, sem analisá-las cuidadosamente, Krug sugere se preocupar com 5 detalhes importantes:

01) Crie uma hierarquia visual clara;
02) Tire proveito das convenções;
03) Divida as páginas em áreas claramente definidas;
04) Deixe óbvio o que pode ser clicado;
05) Minimize a confusão.


Tudo a um clique?

Krug não acha indispensável que as informações estejam a um clique do usuário. Ele acredita que, independente dos sites serem largos (mais opções, menos cliques) ou profundos (menos opções, mais cliques), usuários não se incomodam com muitos cliques, desde que eles sintam estar no caminho certo. A proporção seriam mais ou menos a seguinte: “3 cliques claros e sem ambiguidade equivalem a 1 que requeira raciocínio”.

Para economizar o raciocínio do usuário, é recomendado que palavras desnecessárias sejam omitidas, evitando aquele papo bobo praticado por textos promocionais, introduções e instruções.

“Apenas por estarem lá, todas essas palavras adicionais sugerem que você pode realmente precisar lê-las para entender o que está havendo, o que muitas vezes faz as páginas parecerem mais intimidantes do que realmente são”.

Com os mecanismos de busca, muitas vezes o usuário cai direto em uma página interna, sem passar pela home ou por um fluxo de navegação que o permita entender onde ele está. Isso aumenta ainda mais a importância de esclarecer algumas questões como:

01) Que site é esse?
02) Que página dentro do site estou?
03) Quais são as seções disponíveis?
04) Onde estou no meio delas?
05) Como posso realizar uma pesquisa?


Toda página inicial tem uma missão a cumprir

A página principal, como espaço mais cobiçado de um site, antes de atender a todas as áreas da empresa que querem garantir seu lugar nela, deve prezar por oferecer uma visão geral sobre o site, permitindo a compreensão do que se trata, o que está sendo oferecido, o que é possível fazer e por quê o usuário deveria estar aqui e não em outro lugar.

Um slogan e uma declaração introdutória são dois bons exemplos para dar indícios aos usuários. Mas é importante oferecer uma propaganda do conteúdo, expondo os recursos disponíveis, atalhos para os links mais requisitados, visibilidade para os negócios disponíveis e uma espaço reservado para registro (caso o site funcione com ele). Cumprindo isso, ainda há um outra questão que a home deve responder que é “onde eu começo?”, tentando deixar claro por onde a pessoa deve navegar (menu), onde ela deve ir para realizar uma pesquisa (campo de busca) e como é possível experimentar o que o site oferece de melhor (destaques). Muitas missões e só uma página. Tarefa desafiadora.


Testes de Usabilidade

O mito do usuário médio, segundo Steve Krug, é aquele conceito que as pessoas têm a respeito dos usuários, acreditando que estes têm comportamento padrão e, em sua maioria, costumam gostar de certas soluções. O autor desmente esse fato, recorrendo à experiência obtida, que o leva a crer que a variação de comportamento é tão grande que ele poderia dizer que cada usuário é único. Então, a solução para dissolver os embates existentes entre áreas que acreditam em padrões diferentes é o teste de usabilidade.

“A questão é que não é produtivo fazer perguntas como ‘A maioria das pessoas gostam de menus pull down?’. O tipo certo de pergunta a fazer é ‘Esse menu pull down, com estes ítens e este palavreado, neste contexto, nesta página, cria uma boa experiência para a maioria das pessoas que usarão este site?’”.

Mas Krug destaca a diferença entre testes de usabilidade e grupos de foco. Nos testes de usabilidade, mostra-se o site para um usuário de cada vez, que  é solicitado a realizar determinada tarefa, de forma que seja possível descobrir se o site funciona e como é possível melhorá-lo.

Nos grupos de foco, de 5 a 8 pessoas reagem a idéias e projetos que são mostrados a eles. São bons para identificar o desejo do público, o que sentem sobre aquilo e se a idéia do site faz sentido. Mas eles não são bons para descobrir se o site funciona. São mais adequados para os passos iniciais do projeto, pois revelam coisas que devem ser descobertas cedo.

Algumas verdades sobre os testes de usabilidade:

  • “Se você quiser um ótimo site, tem que testar” (depois de um tempo trabalhando no site você já sabe demais para identificar as falhas que um novato conseguirá);
  • “Testar um usuário é 100% melhor do que não testar nenhum” (até os piores testes com os piores usuários serão úteis);
  • “Testar um usuário no início do projeto é melhor do que testar 50 próximo ao final” (testes não devem ser grandiosos, pois se o forem, não acontecerão cedo nem com a frequência suficiente para servir bem ao projeto).
  • “A importância de recrutar usuários representativos é superestimada” (fazer o teste cedo ainda é mais importante do que ter os perfis exatos);
  • “A questão dos testes não é provar ou desaprovar algo. É informar seu julgamento” (os testes devem ser somados à sua experiência, julgamento profissional e bom senso);
  • ” Testar é um processo interativo” (faz, conserta, repete, faz de novo);
  • “Nada é melhor do que a reação de um público ao vivo” .

Sobre testes de usabilidade, o autor faz questão de ressaltar a importância de fazê-lo simples, para que seja possível tirá-lo do papel e repetí-lo quantas vezes for necessária. Daí a recomendação de montar uma estrutura prática, que caiba no orçamento. Bastam uma sala, uma câmera, um computador e duas cadeiras.

O livro ainda oferece um modelo interessante de script para explicar aos usuários o que acontece em um teste de usabilidade, mostrando que o que está sendo testado é o site, e que não há problema em ele errar ou dizer o que pensa, uma vez que espera-se uma opinião honesta para efetivamente melhorar o projeto.


Concluindo…
Durante a leitura a gente percebe que o conteúdo é referente a uma outra época da internet. Isso fica evidente nos exemplos de sites e soluções que foram muito usados próximo ao período em que o livro foi escrito e, depois, revisado. No entanto, eu acredito que os conceitos apresentados por Steve Krug não perderam sua relevância. Pelo contrário. Com a evolução da internet e o surgimento de interfaces mais sociais, esses conceitos ganharam ainda mais importância, pois colaboram para a criação de telas e designs mais simples, funcionais e focados nos objetivos do usuário. De certa forma, o minimalismo que encontramos nas páginas do Facebook e Twitter e até em aplicativos da Apple, é resultado da necessidade cada vez maior de atender a um dos principais desejos dos usuários e que, de forma muito bem pensada, deu nome ao livro: “Não Me Faça Pensar”.

 

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OBS: Assim como Jakob Nielsen, outro guru da usabilidade na web, Steve Krug também tem um site muito simples, com apelo visual duvidoso, que acaba levantando uma discussão. Para ter uma boa usabilidade, os sites precisam ser feios como o de Nielsen (www.useit.com) e de Krug (www.sensible.com)? Esses sites são realmente fáceis de usar? Casa de ferreiro, espeto de pau?

Comments (1)

[...] – Ler um livro “Não me faça pensar” http://dnadigital.com.br/livro-nao-me-faca-pensar/ [...]

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