LIVRO – A Lógica do Consumo
Posted on : 13-05-2010 | By : Guilherme Mattoso | In : biblioteca DNA
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Livrinho bom, honesto, de leitura fácil. Um ótimo passatempo para você que gasta seu precioso tempo em ônibus, barca, metrô, salas de embarque… a Lógica do Consumo, de Martin Lindstrom, ao mesmo tempo que diverte, desconstrói alguns mitos do mundo da propaganda e aponta para novas tendências ao apresentar as pesquisas de neurociência como o futuro do marketing.
Os cases são divertidos e, na maioria das vezes, surpreendentes. Por exemplo, os resultados de uma pesquisa feita com fumantes mostrou que os avisos de alerta antifumo e as fotos chocantes não causam efeito repulsivo, mas estimulam o fumante a continuar comprando cigarros!
“… como a dra. Calvert concluiu mais tarde, os nossos voluntários não se sentiam envergonhados pelo que o cigarro estava fazendo com seu corpo; sentiam-se culpados porque aquelas imagens estimulavam as áreas de seu cérebro ligadas ao desejo”.
E ao longo das páginas, Lindstrom vai desconstruindo outros mitos e revelando novas “verdades” como: mershandising não funciona, aromas e sons são mais poderosos do que as logomarcas, sexo e sensualidade na publicidade não funciona e por aí vai… os resultados e interpretações das pesquisas surpreendem e os exemplos também são muito interessantes.
Porém, o excesso de exemplos que permeiam a narrativa às vezes cansa um pouco. Do início ao fim do livro você se depara com coisas como “aí eu estava esperando meu vôo da American Airlines, vendo e-mails no iPhone e tomando um café do Starbucks…”. Isso acontece direto! Tanto que o livro tem até um índice remissivo.
Alguns capítulos também tornam-se um pouco cansativos, pois ao invés de ir direto ao ponto, Lindstrom faz todo um prelúdio para chegar ao ponto. O capítulo sobre fé, religião e marcas é um pouco assim: ele começa com a pesquisa com as freiras e ai embora… e até voltar para os trilhos, você fica cansado com a leitura.
Outro contra: às vezes fica um pouco explícito que Martin Lindstrom quer vender seu peixe, insinuando em vários momentos que o futuro do marketing é o neuromarketing, que pra se destacar no mercado vai ter que buscar esse diferencial lá. Não sou especialista em marketing, aliás, nem trabalho na área, mas esse tom, apesar de discreto, não pegou bem.
Ainda assim, este livro não está aqui na seção à toa. É uma leitura agradável e interessante. Nos faz pensar sobre os novos rumos do marketing. E não duvido nada que aquela capa amarela, chapada, sem muita firula, tenha um quê de neuromarketing… algo do tipo “livros amarelos estimulam o intelecto dos leitores que, por sua vez, sintem-se estimulados a comprá-lo”. Eu mesmo, na dúvida entre outra publicação, levei esse por causa da capa.










