Como terminou a disputa entre o Greenpeace e a Nestlé?
Em : 01-07-2010 | Por : Leonardo Spinardi | Categorias : artigos, campanhas, mídias sociais
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Há quase 3 meses, publiquei um post a respeito do duelo que o Greenpeace e a Nestlé travavam nas redes sociais. A história tinha diversos ingredientes para se tornar um case interessante, pois abordava questões ambientais a respeito do desmatamento na Indonésia, crise de imagem, censura no Facebook e repercussão internacional. Tudo proliferado através de vídeos e blogs na internet. Fiquei devendo o desenrolar dessa história e pago minha dívida agora com juros e correção monetária.
Dando um tempo aos orangotangos
Se o objetivo do Greenpeace era forçar a Nestlé a dar um tempo (“Give a Break”, parodiando o slogan do chocolate Kit Kat) aos orangotangos existentes nas florestas tropicais da Indonésia, parece que ela conseguiu. Após dois meses de campanha e a participação de algumas centenas de milhares de pessoas através do Facebook, Twitter e outras redes sociais, a Nestlé anunciou, na manhã do dia 17 de maio, o compromisso de interromper a compra de matérias-primas de empresas suspeitas de desmatar florestas tropicais no país, como a Sinar Mas e Cargill, e, por consequência, de colocar em risco a existência dos orangotangos.
Mais impressionante do que a conquista do Greenpeace, foi a forma como a causa se espalhou através das redes sociais. Sem dúvida, nasceu mais um case para as palestras sobre o assunto. O vídeo da campanha foi visto mais 1.5 milhões de vezes e muitos usuários do Facebook trocaram suas fotos do perfil por imagens de orangotangos, de florestas tropicas ou da logo “Kit Kat Killer”.
É claro que essas ações online foram acompanhadas de manifestações diretas, como a intervenção na Assembléia Geral Anual da Nestlé, realizada em 15 de abril, quando ativistas do Greenpeace fantasiados de orangotangos saudaram os acionistas da empresa que chegavam para o encontro. Enquanto isso, do lado de dentro, militantes escondidos no teto penduravam cartazes que pediam o famoso “Give a Break” para os então famosos animais. Como se não bastasse, através de uma rede sem fio improvisada, ativistas enviavam tweets aos acionistas durante toda a reunião, cujos links levavam direto para o greenpeace.org/kitkat quando clicados. Belo cruzamento entre o on e o off, não?

Ativistas do Greenpeace protestam fantasiados de orangotango durante a Assembléia Geral Anual da Nestlé.
O pessoal do Greenpeace resolveu atingir a Nestlé onde dói, no bolso, mostrando aos acionistas da empresa que a sociedade está ciente do que está acontecendo – e mais! – está se importando muito com isso. Segundo informações no próprio site do Greenpeace, a intenção é deixar bem claro, inclusive para outras empresas de atuação internacional, como Wal Mart e Carrefour, que não existe espaço para desmatamento de florestas nos produtos que o consumidor moderno adquire.
As redes sociais podem mudar o mundo?
É com um título parecido com esse que um post do blog Making Waves, do Greenpeace, celebra o poder das redes sociais no angajamento das pessoas por grandes causas. Essa bela história me fez sonhar com um lado ainda mais romântico das redes sociais, quando elas serão capazes, não só de fortalecer o poder do consumidor e potencializar vendas nas empresas, mas de, efetivamente, mudar o mundo para melhor. As redes sociais vão mesmo ajudar a diminuir o desmatamento? Podemos acabar com a fome no mundo com a ajuda das redes sociais? Há esperança contra a AIDS nas redes sociais? A corrupção deve começar a colocar seu rabinho entre as pernas?
Há fortes indícios positivos. Mas esse é um assunto para um próximo post. Nesse próximo post, vou destilar todo o meu romantismo para tentar enxergar as redes sociais sobre uma outra ótica. E vou ver se consigo trazer alguns bons exemplos sobre o assunto. Coloca esse post na lista das minhas dívidas e pode me cobrar.
























Lembro quando comecei o meu primeiro estágio, em 1998, como web designer: para montar os sites, as fontes de informações que chegavam em nossas mãos eram cartões de visita dos clientes e folhetos impressos; os textos viravam uma página em HTML, com o logotipo e alguma animação em ‘.gif’. Os sites se resumiam em “quem somos”, “o que fazemos”, e um e-mail e telefone de contato. Posso dizer mesmo que eram folhetos online e as empresas se preocupavam simplesmente em estar presente na internet, sem critérios de como e por que, afinal, a web era maior novidade daquele momento.
Esta semana, acessei o site de uma empresa que há tempos não via e percebi que o conteúdo era o mesmo de 3 anos atrás. Pensei: “esse literalmente parou no tempo!”. Mas por quê? Simplesmente porque, há 3 anos, não se via nem se pensava a internet com o dinamismo e o imediatismo que possui hoje.
Afinal, este é o papel das áreas de Marketing e Comunicação, certo?



Esta Autoregulamentação surgiu para complementar o projeto de lei 21/2004 (atualmente na Comissão de Educação do Senado), do senador Eduardo Azeredo (PSDB), que proíbe o envio de mensagens não solicitadas, incluindo o e-mail marketing. Não há uma diferenciação neste projeto entre um e outro!
Para quem quiser saber mais sobre o tema, haverá uma palestra sobre ele no dia 19 de agosto, quarta-feira, no encontro mensal do WebAnalytics Wednesday (WAW):