Adeus 2010… E as tendências para a internet em 2011?
Posted on : 18-01-2011 | By : Leonardo Spinardi | In : mídias sociais, tendências
0
Fim de ano é período de retrospectiva. Já o início, é período de apostas. Desde a última semana de 2010 até hoje, já li meia dúzia de artigos e reportagens sobre as tendências que devem se consolidar no marketing digital e na internet como um todo em 2011.
Concordo com umas, outras eu acho até que já estão acontecendo, mas também duvido de uma parcela delas. É bom deixar claro que se escrevo em um blog voltado para comunicação digital é porque, no mínimo, sou um entusiasta do assunto. E costumo ver essas tendências com muito otimismo, na torcida para que as coisas boas realmente aconteçam, principalmente com a velocidade prevista. Afinal, é o mercado no qual trabalho. Mas o que estão prevendo?
A Consumer Eletronics Association (CEA) já havia divulgado um relatório, em outubro do ano passado, sobre as tendências em tecnologia para 2011, num total de cinco:
1) o aumento do consumo de vídeos sob demanda;
2) o pagamento por parte das empresas para ter acesso a informações pessoais nas redes;
3) o desenvolvimento de tecnologias verdes;
4) o crescimento de aplicativos para smartphones;
5) o aumento da banda larga móvel e 4G.
Devemos chamar a atenção para o fato de que a associação é americana e, se essas coisas são vistas como tendências por lá, precisamos acrescentar algum delay para que comecem a virar tendência por aqui também. Ou talvez nem se apliquem à nossa cultura. Vejamos…
Das previsões citadas pela CEA, acredito que o crescimento de aplicativos para smartphones é a mais estabelecida. É óbvio que a popularidade deve aumentar, mas é um fato notório que os aplicativos já mudaram a forma de se usar a internet através de aparelhos móveis. Os aplicativos para iPhone, por exemplo, alcançaram seu primeiro bilhão no período entre julho de 2008 e abril de 2009. O segundo bilhão foi alcançado na metade do tempo, em outubro de 2009, e em janeiro de 2010 já alcançava 3 bilhões. Estudo da International Data Corporation (IDC) indica que cerca de 76,9 bilhões de aplicativos devem ser baixados até 2014. Desculpe, mas não é tendência. É realidade. A febre não deve mesmo parar por aí e os aplicativos para as mais variadas utilidades continuarão surgindo.
A mesma coisa eu diria a respeito dos vídeos sob demanda. É uma tendência fácil de se apostar porque a transformação já começou. Começou e os downloads nem sempre legais de filmes na web podem comprovar isso. Não são legais, no termo jurídico da palavra, mas são sob demanda. Segundo o relatório da CEA, a chegada da alta definição HD ajudará a redefinir a forma com que os usuários consomem seus programas preferidos, podendo assistí-los na hora e no dispositivo que preferirem, dos grandes distribuidores ou diretamente dos produtores.
O aumento da banda larga móvel e 4G é a tendência que eu acho mais distante de acontecer nesse ano. Não que eu tenha dados que corroborem minha opinião, mas a evolução com que isso se desenvolve no Brasil não me permite pensar diferente. Ainda é caro desfrutar de boas condições de navegação de qualidade em 3G. Uma das mais caras do mundo! O que diremos então da chegada do 4G?
Já as questões em torno do pagamento por informações pessoais e o desenvolvimento de tecnologia verde são as mais delicadas. Em relação à primeira, o que o artigo diz é que as empresas interessadas em usar os dados dos consumidores nas redes deverão pagar por eles. É bem provável que essa mudança encontre interesse nos anseios dos consumidores, que cederiam seus dados como parte de um acordo de negócios. Mas não ficou claro no artigo como aconteceria essa regulamentação. Como as empresas muitas vezes já tem acesso a esses dados, que estão disponíveis em troca de ferramentas gratuitas úteis (o Google que o diga), por que elas achariam interessante começar a pagar por isso? A vantagem para o consumidor é perceptível, mas o que as empresas ganhariam com isso? Tá difícil levar fé nessa previsão.

Tecnologias verdes guiarão a criação de novos produtos em uma era de escassez de recursos. (Crédito: http://www.myessentia.com)
Sobre a onda verde que promete tomar conta das próximas criações tecnológicas, posso dizer que já não era sem tempo. Mas seria mesmo em 2011? A tecnologia nos ajudou a limpar alguns processos, otimizar recursos e reduzir o consumo de papel. Mas o lixo tecnológico e a energia necessária para manter computadores e celulares ligados necessitam de abordagens mais cuidadosas. E o cuidado para o qual aponta o relatório é em relação ao surgimento de novas opções de produtos ecológicos, que ajudem a contornar as crises econômica e de recursos atuais, compreendendo que a “tendência verde” será um negócio cada vez mais lucrativo.
+ Faça o download do relatório “5 Technologies to Watch”, da CEA.
Mais tendências?
Uma outra matéria da IDG Now, publicada em dezembro de 2010, listou diferentes expectativas para a tecnologia no ano que se inicia. Desta vez, mais voltadas para as questões de marketing, mais especificamente, as redes sociais. Segundo a notícia, o começo do fim do Orkut será em 2011. A audiência atual do Orkut no Brasil, aquela que alguns apontam como a classe C, já estão migrando de ambiente e colaborando com o crescimento gritante do Facebook. Será que os early adopters buscarão outra rede social para fugir da sombra da classe C? Teremos em breve as “Pérolas do Facebook”? Como acontecerá o amadurecimento dessa nova audiência e como isso influenciará a percepção da ferramenta? Os próximos capítulos prometem ser interessantes.

Em 2011 o Facebook deixará o orkut para traz também no Brasil? (Crédito: http://flashnewstoday.com)
Outra previsão aborda o amadurecimento da relação das empresas com seus consumidores nas redes sociais, com a observação de que os sites institucionais se tornarão cada vez mais irrelavantes. A previsão é que em 2011 haja uma ascenção do atendimento ao consumidor nas redes sociais. Sem dúvida eu apostaria num número cada vez maior de empresas que vão ouvir o que os clientes já estão falando há algum tempo nesses ambientes. Muitas começarão a interagir pesado. Talvez a migração do modelo atual para este seja lenta, mas acredito que as empresas vão buscar um meio termo para atender os consumidores nas redes sociais sem desconsiderar suas estruturas de CRM. Pelo contrário, tentando inclusive usá-las para desempenhar esse papel. Com essa perspectiva, é possível que os sites institucionais venham a perder a sua relevância sim, mas diferente da matéria, acho difícil que as empresas se desprendam dessa fortaleza – e acho certo que não o façam! -, mas possivelmente tentarão integrar cada vez mais o ambiente controlado com a dinâmica das redes sociais.
Além disso, a matéria também destaca o uso de redes sociais para insights imediatos. É uma previsão que me assusta, visto que as empresas ainda estão se acostumando com o hábito de monitorar as redes sociais, ter relatórios períodicos mensais (talvez quinzenais) e incluí-los como base para decisões de marketing. E o que a matéria quer dizer é que esse monitoramento e esse relatório deverão ser acompanhados com muito mais frequência, talvez diariamente, por um profissional capaz de extrair dali idéias para aperfeiçoar produtos, serviços e processos… e em tempo real! Ousado, não?

Relatórios de monitoramento das redes sociais serão mais constantes e ajudarão as empresas a fazerem e responderem as perguntas certas (Crédito: http://meghanlane.wordpress.com)
Ainda há previsões de marcas anunciando para brasileiros no Twitter, cuja forma prevista será através de tweets e trend topics pagos. A reportagem também chama atenção para o fim da barreira on/off, que já acabou para muitos consumidores, mas que deverá se intensificar, como exemplifica a matéria, a ponto de começarmos a encontrar sinalização do perfil do Twitter oficial nos pontos de venda e até aplicativos que permitirão a interação quando estivermos na loja física. Do lado das agências, a questão do on/off já era para ter acabado há muito tempo e a compra de pequenas agências digitais por grandes agências tradicionais já vem acontecendo. Em 2011, a tendência vai ganhar força.
Como profissionais, nos resta trabalhar para que as tendências possam ser absorvidas e implementadas de forma madura e saudável para o mercado e para os clientes. Como consumidores, vislumbramos um futuro próximo com ainda mais vantagens que nos colocarão de igual para igual frente as empresas. E isso não pode ser ruim. Que venha 2011!










