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Baby Boomers estão on line!

Em : 19-06-2010 | Por : Cibele Aviles | Categorias : artigos, comportamento, tendências

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Com o passar dos anos, o Brasil está se tornando um país da melhor idade, e pesquisas vem evidenciando isso há algum tempo. E muitos fatores tem ajudado na longevidade e aumento da expectativa de vida, tornando nossos queridos velhinhos pessoas mais ativas, participativas, com melhor qualidade de vida.

A MELHOR IDADE NO BRASIL

idosos no Brasil

Img retirada do site tudoglobal.com

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), os idosos representavam, em 2005, 10,4% da população mundial, e projeções revelam que, até 2050, esse valor será superior a 20%.

Com base no Censo 2000, no Brasil os idosos são hoje 14,5 milhões de pessoas, 8,6% da população total do País. O aumento da expectativa de vida do brasileiro está em ritmo bastante acelerado: em 1980, eram cerca de 560 mil idosos com mais de 80 anos, aumentando, em 2006, para quase dois milhões de habitantes (crescimento de 85,3%), sendo mais expressivo entre indivíduos acima de 75 anos, especialmente aqueles com 80 anos e mais.

Em 2008 pessoas com 60 anos ou mais já representavam 11,1% dos brasileiros. Neste mesmo ano, a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), realizada pelo Instituto de Economia Aplicada (Ipea), mostrou que o Brasil poderá ser um país de velhos a partir de 2030. As regiões Sudeste e Sul são as mais envelhecidas: pessoas com 60 anos ou mais representavam 12,4% da população em 2008, e o Rio de Janeiro é o estado que possui mais idosos, de todo o país.

Dados, estatísticas, aos poucos virando realidade. E, pensando bem, em 2030 eu já estarei beirando os 60 anos, entrando nessa parcela da população!

Mas afinal, o que faz a melhor idade na web?

SIM, ELES ESTÃO NA WEB!!
Pesquisas em diversos países vem mostrando o que nossos queridos vovôs e vovós tem feito na internet. Vamos aos dados:

No Brasil, um estudo feito pela Universidade de Brasília (UnB), ao comparar o comportamento dos idosos nacionais aos da Espanha, mostrou que eles buscam praticamente a mesma coisa na web: entretenimento, se relacionar e se expressar. Porém, se restringem a ser receptores passivos, pois quando se trata de produção de conteúdo, possuem dificuldades devido aos “complexos mecanismos de mediação e de filtros”, nos portais.

Abaixo, duas reportagens que mostram um pouco esta realidade. A do Jornal da Gazeta é de 2007, e a do Jornal Hoje, mais recente: 2009.

No Reino Unido, uma pesquisa divulgada em fevereiro deste ano pela organização de caridade Booktrust , para ajudar a promover um projeto para leitores acima dos 60 anos – o Bookbite -,  indicou que a internet está ajudando a terceira idade a redescobrir sua paixão por literatura e escrita.

Esta pesquisa mostrou também que 31% dos britânicos que estão acima dos 60 anos tem vontade de publicar contos e de se associar a clubes do livro, na web.

Entre 2007 e 2009, a Deloitte indicou que houve um crescimento de 16% entre os baby boomers que possuem perfil em redes de relacionamento na internet, conforme gráfico abaixo.

MINHA AVÓ ESTÁ NO ORKUT!
No Orkut existe a comunidade “Minha mãe está no orkut”, como muitos devem saber e até participar (como eu!). Pois bem, já temos 11 (até a publicação deste) denominadas “Minha avó está no orkut”. Mas nenhum tópico debatendo a respeito. Encontrei um tópico dentro da outra comunidade (a ‘Minha mãe está no orkut’).

11 resultados na busca por "Minha avó está no orkut"

Tópico na comunidade "Minha mãe está no orkut"

Uma pesquisa norte-americana divulgada recentemente pela AARP mostrou que mais de 25% dos norte-americanos com 50 anos, ou mais, se mantêm conectados em sites de relacionamento como facebook (o mais popular), myspace, linkedin e twitter; e que 73% dos que estão no Facebook aproveitam a rede para manter contato com parentes, amigos e colegas.

A pesquisa indicou ainda que 50% dos adultos mais velhos foram apresentados aos sites de redes sociais por um membro da família, em geral, um filho ou neto. Segundo a autora do estudo, Jean Koppen,

“Eles usam a internet para acompanhar o mundo e também as pessoas que lhes são importantes”

OS BENEFÍCIOS DA INTERNET PARA A MELHOR IDADE

Em 2009, pesquisadores da Universidade da Califórnia fizeram um estudo quanto ao uso da internet e o funcionamento do cérebro de idosos. Contaram com 24 voluntários, com idades entre 55 e 78 anos, e comprovaram que o uso diário da internet pode ajudar a melhorar o funcionamento do cérebro de pessoas da terceira idade em pouco tempo, evitando a perda da capacidade de raciocínio, assim como as tradicionais palavras cruzadas e um jogo de quebra-cabeças.

MAS E EU COM ISSO??

That’s the question! Depois de ler tantos dados, nós, como profissionais da área, devemos começar a refletir – e agir!

Atendimento e Relacionamento:
Como iremos atendê-los? Temos paciência para explicar tudo nos mínimos detalhes para eles?

E-commerce:
Eles tem alguma confiança e segurança para fazer compras on line?
Qual a melhor forma de pagamento para eles?
Eles vão conseguir finalizar uma compra, com tantos passos a serem dados?

Prospects:
São hoje parcela representativa? E amanhã, serão?
O que gostariam de ‘consumir’ no mundo on line, apenas livros (como citado na pesquisa do Reino Unido)?

Ferramentas:
Lá em cima vimos que estão com dificuldades de utilizar ferramenta de publicação de conteúdo, o que podemos fazer para mudar isso?

Acessibilidade:
Estamos pensando neles e em suas limitações físicas devido a idade, ao fazermos nosso sites?

Devemos pensar nestes e em muitos outros pontos ao trabalhar na e com a internet. Afinal, esta geração, que já está plugada, requer um tratamento diferenciado.

Fontes:
- R7

- Universidade de Brasília

- Jornal Hoje

- Jornal Nacional

- eMarketer

- Abril (PNAD 2007)

- O Globo (PNAD 2008)

- O Globo Economia (PNAD 2008)

- Portal Exame

- Tudo Global

Gmail ganha nova janelinha para o Talk

Em : 09-06-2010 | Por : Guilherme Mattoso | Categorias : atualidade, inovação

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Fala que eu te escuto!

Já repararam? A janelinha de bate-papo do Gmail está diferente. O esquema, muito simples e intuitivo não era tão friendly user para acessar a conversa em grupo, vídeo ou conversa em áudio, mas isso mudou! O Google acrescentou botões de um clique para estas três funções, à direita da janela do chat.

E mesmo se você não tiver os plugins necessários para o vídeo, um ícone aparecerá para a instalação do próprio. Tudo isso pra facilitar a vida do usuário que, de acordo com o Google, ainda tem alguma dificuldade em explorar as funcionalidades.

A novidade é reflexo do significativo aumento no uso destas ferramentas desde que o chat também foi disponibilizado no iGoogle e no Orkut. Com isso, o Google espera que o número de usuários usando vídeo, bate-papo em grupo e conversação de voz aumente substancialmente.

Via Gmail Blog.

LIVRO – A Vida Digital

Em : 05-06-2010 | Por : Leonardo Spinardi | Categorias : biblioteca DNA, tendências

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A Vida Digital, de Nicholas Negroponte.

A Vida Digital, de Nicholas Negroponte.

Há algum tempo a obra de Nicholas Negroponte encontra-se parada na minha fila de leitura. Fila esta que tenho grande dificuldade de fazer andar. A leitura se adiava ainda mais por conta das declarações de um amigo meu, dono do livro, que dizia que a obra era datada e tratava-se exclusivamente de previsões a respeito do desenvolvimento das tecnologias.

Diante desse cenário quase desanimador, qual não foi minha surpresa ao descobrir que o trabalho de futurólogo de Nicholas Negroponte fora muito bem sucedido, e que o livro surpreende, principalmente se levarmos em consideração o fato de ter sido lançado em 1995.

Tudo bem que Negroponte é um dos fundadores do Media Lab, o laboratório de Multimeios do MIT e há anos assina uma coluna na revista Wired. Na crista da onda, deve mesmo ser mais fácil fazer previsões do gênero. Fico imaginando o que teria acontecido com minha cabeça se tivesse lido este livro na época de seu lançamento, quando ainda me deslumbrava com o meu primeiro computador pessoal, sem kit multimídia nem acesso à internet.

Com boas doses de humor e cinismo, Nicholas Negroponte faz previsões e estimula reflexões que, 15 anos depois, ainda fazem sentido na relação dos humanos com a evolução da tecnologia. Filosofa sobre a transformação de átomos em bits e sobre a forma que essa digitalização pode afetar a economia, a comunicação e até o uso de recursos naturais.

Negroponto é um dos fundadores do Media Lab, o laboratório de Multimeios do MIT, e há anos assina uma coluna na revista Wired.

Negroponto é um dos fundadores do Media Lab, o laboratório de Multimeios do MIT, e há anos assina uma coluna na revista Wired.

Sobre átomos e bits
Segundo o livro, o bit é o menor elemento atômico do DNA da informação e se mostra mais econômico que os átomos, pois possibilita transferências instantâneas e dispensa gastos com transporte e estocagem. Negroponte citou como exemplo um computador que pode ser declarado no valor de U$ 2.000 em átomos, mas em bits, pode valer U$ 2.000.000, dependendo do conteúdo que carrega. No fim do capítulo, ele é apocalíptico ao dizer que o futuro das empresas dependerá diretamente da capacidade de seus produtos e serviços adquirirem formato digital.

Em seguida, Negroponte antecipa a democratização que a internet causaria ao transferir o poder dos grandes meios de comunicação para o usuário comum, ressaltando que o meio digital cria oportunidades para que um novo conteúdo venha a ter origem a partir de uma combinação inteiramente nova de fontes.

“E se transportar esses bits não requer esforço algum, que vantagens as grandes empresas de comunicação teriam sobre vocês ou sobre mim?”

Sobre essa combinação de fontes, consegui traçar um paralelo com as questões atuais de filtros, sejam eles RSS ou até nossos filtros sociais, pessoas e empresas que seguimos, e que aparecem como fonte primária de informação para gente, antes mesmo dos grandes veículos. Ficou bem claro que esses filtros atuais são parte do que Negroponte previu.

“A resposta está na criação de computadores que filtrem, classifiquem, estabeleçam prioridades e gerenciem múltiplos veículos, a multimídia, para nós – computadores que leiam jornais, assistam à televisão e que ajam como editores quando solicitados.”

Em seguida, uma dezena de páginas aborda a evolução da TV, a mídia mais avançada e popular até o surgimento da internet. Segundo o livro, os Estados Unidos, a Europa e o Japão acreditaram que a evolução da TV, após passar de preto e branco para colorido, seria buscar uma qualidade de imagem cada vez melhor. Só que nunca tiveram informações que corroborassem esse tipo de pensamento. Segundo Negroponte, eles desprezaram a importância do formato do conteúdo a ser exibido. Para os fabricantes de TV nos EUA, TV tem a ver com imagem (alta definição), e não com bits (digital).

“Ser digital é ter licença para crescer. Ser digital é optar por ser independente de tais padrões predominantes (PAL – NTSC). No caso da TV, se ela não fala determinado dialeto, você vai até a loja de informática mais próxima e compra um decodificador, como se compra programas para PC.”

Nessa altura do livro, o autor faz questão de abordar as vantagens de ser digital e chega a contestar a máxima da comunicação, ao afirmar que o meio não é mais a mensagem, mas sim uma das formas que ela assume. Cada vez mais, o receptor, e não o transmissor, dará forma à informação recebida.

“Os bits de uma partida de futebol podem ser convertidos pela TV-computador para que você assista ao jogo em forma de vídeo, o ouça na voz de um locutor ou o veja em formato de diagramas das jogadas. Em todos esses casos, trata-se do mesmo jogo e do mesmo conjunto de bits.”

A verdade é que no mundo de átomos, limites físicos impedem que se tenha volume e profundidade ao mesmo tempo, a não ser que se tenha um livro com quilômetros de espessura.  Esse problema do volume versus profundidade desaparece no mundo digital, de modo que leitores e autores podem mover-se com maior liberdade entre o geral e o específico. Na verdade, a idéia de “querer saber mais” é parte integrante da multimídia, e está na base da hipermídia.

Negroponte rodeado dos laptos XO, do projeto educacional "One Laptop For Child" (OLFC).

Negroponte rodeado de laptos XO, do projeto educacional "One Laptop For Child" (OLFC).

+ Visite o site em português da ONG “Um Laptop Por Criança” para saber mais.

Te conheço?
Nicholas dedica um capítulo inteiro à importância das interfaces, onde as pessoas e os bits se encontram, garantindo que o desafio da próxima década (e continua sendo) é desenvolver computadores que conheçam o usuário, aprendam quais são suas necessidades e entendam línguas verbais e não-verbais. Segundo ele, um computador deveria saber distinguir “Kissinger” de “kissing her”, não por ser capaz de identificar a pequena diferença acústica, mas por compreender o sentido. Estaria ele falando da web semântica há 15 anos atrás?

Esse capítulo explora a idéia de que o segredo do projeto de uma interface é fazê-la desaparecer. Os testes precisam julgar as experiências sensoriais como um todo.

“O ver e o sentir se complementam. Dois filmes graficamente iguais se diferenciarão caso um deles possua melhor qualidade de som. Assim como uma comida fica mais gostosa para quem usa óculos. Ver a comida com clareza é parte da qualidade de uma refeição.”

Fala que eu te escuto
Após abordar questões sobre realidade virtual, Negroponte retoma o debate da relação entre humanos e computadores ressaltando a importância de interfaces multimodo. Essas interfaces estariam preparadas para receber informações de canais diversos e concorrentes, como o toque, a fala ou  a escrita, de forma a enriquecer e complementar a informação faltante no outro.

“Se estamos numa sala com um punhado de pessoas e eu pergunto ‘como é que você se chama?’, a pergunta não faz sentido algum, a não ser que você possa ver para quem estou olhando ao formulá-la. Isto é, o pronome ‘você’ extrai seu sentido da direção do meu olhar.”

É com essa deixa que o livro afirma a importância das máquinas reconhecerem o mouse, o toque, o olhar e a fala como entrada de dados. Muitas vezes as pessoas não querem usar a máquina, mas sim que ela desempenhe as tarefas para elas. Então, os computadores devem aprender a ler diferentes expressões humanas para enriquecer a conversa, sem que seja necessário falar com a boca colada no microfone

A explanação sobre a importância do uso da fala para se comunicar com computadores continua e Negroponte explica que esse recurso evoluiu pouco ao longo dos anos não por falta de tecnologia, mas por falta de perspectiva adequada. A fala deixa as mãos livres e pode ser empregada à distância. No entanto, as nuances da fala (sarcasmo, subserviência, raiva) são tratadas como problemas (defeito) pelos computadores e não como riqueza (qualidade).

Negroponte dá sequência às suas previsões falando sobre a miniaturização como tendência.  Segundo ele, é possível que venhamos a carregar no pulso, o que hoje (em 1995, lembre-se!) nós temos em cima da mesa, é que há alguns anos ocupava uma sala inteira. Esse processo só não é mais utilizado por uma questão física, e não tecnológica.

“O principal motivo pelo qual não se coloca um modem na cabeça de um alfinete já não é de ordem tecnológica: é que temos dificuldade em saber onde deixamos as cabeças de alfinetes, e costumamos colocá-las no lugar errado”

O autor reforça sua previsão a respeito da miniaturização, ressaltando novamente a importância da fala, já que interfaces cada vez mais reduzidas dificultarão a implementação de botões e o uso dos dedos para interação.


Se é pra falar de previsões, neste vídeo de 1984, no primeiro TED, Negroponte fala sobre tendências como o CD-ROM, interfaces web e até telas touch screen (em inglês).

Na reta final do livro, as previsões de Negroponte passam por casas inteligentes, com eletrodomésticos e eletrônicos que conversam entre si e trocam informações para que possam facilitar a nossa vida. Como exemplo, ele cita um despertador inteligente que, por saber que o vôo está atrasado, permitirá que você durma mais um pouco, regulando automaticamente o horário do alarme. Esse tipo de inteligência ele também acredita que será usada nos automóveis e que todos esses aparatos dotados de tecnologia também poderão ter algum tipo de personalidade, algo que fuja daquela voz metálica e sem entonação, e que torne mais humana a conversa entre pessoas e máquinas.

Para terminar, o autor escreve algumas páginas sobre o otimismo e esperança em relação à influência da vida digital nas artes e na educação, encerrando o livro com o seguinte trecho:

“À medida que as crianças se apropriarem dos recursos de informação global, e à medida que descobrirem que só os adultos precisam de licença para aprender, nós com certeza encontraremos uma nova esperança e dignidade em lugares onde ambos existiam apenas em pequena medida”

E mais:

“Os bits de controle desse futuro digital estão mais do que nunca nas mãos dos jovens. Nada seria capaz de me deixar mais feliz do que isso”.

Leitura leve, rápida e divertida que, mesmo com alguns pontos datados, tem muito a acrescentar sobre a visão macro das vantagens que a vida digital pode trazer para o mundo.